Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Humor na cidade do Porto

Esta placa esteve 24 horas no Largo de Mompilher no Porto.

E aqui há esperança? II

Podemos ainda tentar fazer qualquer coisa por Sakineh e por todas as mulheres que são humilhadas, desrespeitadas, oprimidas, agredidas, executadas por apedrejamento ou enforcamento, tudo isto à luz da lei da sharia - ASSINAR ESTA PETIÇÃO É UM EXEMPLO DISSO.

E aqui há esperança?

O caso arrasta-se desde 2006. Cinco anos de vida de uma mulher, que todos os dias acorda sem saber se vai ser o último. Se vai ou não ser enrolada num lençol branco, enterrada na areia até aos ombros e golpeada com pedras até fechar os olhos para sempre, como manda a tradição desta prática desumana. Por si só, esta tortura da dúvida é uma morte lenta demasiado dolorosa.

Ler mais aqui.

Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Esperança


É verdade, há muita coisa a lamentar neste mundo, neste país, neste nosso tempo, nesta nossa circunstância. E são esses factos que alimentam as respostas que já vi por aí a este anúncio (para não falar de algumas que só demonstram a dor de c**** e inveja de alguns - dessas nem vale a pena falar). Por vezes, também me coloco do lado dos "deita-abaixo" (mas sem entrar por caminhos ínvios), pois é impossível manter a esperança com algumas coisas que vão acontecendo. Nesses momentos, sentimo-nos incapazes, pequenos perante o tamanho das monstruosidades. Porém, a esperança vai, mas também volta. Este anúncio da Coca-Cola, transmitido neste especial momento da nossa história colectiva enquanto povo faz-me ter esperança em Portugal e nos portugueses. Não porque já fomos uma grande nação há cinco ou seis séculos atrás, mas sim, porque hoje, neste nosso pequeno mas grande país, todos os dias há motivos, pessoas e histórias de sucesso, de esforço, de luta, de superação de obstáculos que nos fazem ter "razões para acreditar num mundo melhor".

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

Coisas que nunca mudam

Ano após ano, e mais ou menos a partir do dia 15 de Dezembro, é interessante ver como as conversas em todo lado - pessoais, media, redes sociais - são sobre o que aconteceu de relevante, quem é que morreu e o que é que mudou nesse ano, bem como, e para rematar as ditas conversas, fazem-se os habituais exercícios de futurologia sobre o que acontecerá no ano seguinte. É assim todos anos. Somos criatura de hábitos e temos um certo pavor à desorganização, é a explicação que encontro para este facto cíclico: procuramos listar, agrupar e associar o que acontece à nossa volta. Só depois de fazermos o "resumo" conseguimos extrair algum sumo. Fazemos o balanço do ano e incitamos também os outros a fazê-lo. Depois, falamos do futuro, projecta-mo-lo e fazemos conjecturas para preencher o vazio. O futuro é um vazio que nós sentimos obrigatoriedade de preencher, nem que seja com "mãos cheias de nada". Posto isto, vou eu também começar a olhar para trás, fazer o resumo do meu ano, avaliá-lo e para terminar, começar a pensar em 2012, pois de 2011, está tudo visto.

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Incerteza

"Como quase sempre na vida, os ciclos terminam antes que as pessoas se dêem conta. Algures em meados da década de noventa, os tempos da fartura e da prosperidade tinham acabado. Desde então, o crescimento estagnou, primeiro, desceu para níveis negativos, depois. Iniciou-se então uma época "entre ciclos", durante a qual se mantiveram as ilusões e a euforia, agora condimentada com doses inultrapassáveis de demagogia.

Vivia-se como se tudo fosse ainda possível, como se os cofres do Estado, das empresas e das famílias estivessem recheados. Como se ainda houvesse agricultura, floresta, pescas e indústria. Como se o investimento estrangeiro continuasse a procurar a nossa economia. Em poucas palavras, como se o progresso interminável estivesse garantido. O Estado prometia e pagava. As famílias gastavam. A Banca aproveitava. As empresas endividavam-se. O financiamento externo não cessava. Os avisos que alguns deram não tinham sequer eco, foram considerados sinais de senilidade e pessimismo. O futuro continuava radioso.

SEM SENSATEZ

A crise internacional e o colapso nacional mostraram a dimensão inacreditável do desastre e da demagogia. A fragilidade nacional surgiu em proporções inesperadas. A produção nacional era insuficiente, o consumo não parava de crescer. O défice público aumentava sem travões nem sensatez. As dívidas externa e interna, sobretudo a primeira, atingiam níveis dramáticos. A balança comercial afundava-se. Os emigrantes enviavam menos remessas e os imigrantes mandavam mais. O investimento externo reduzia-se. A expatriação de capitais aumentava. A deslocalização de empresas acelerava. Passámos a viver em desequilíbrio crescente e à custa dos credores.

O ataque à dívida soberana resultou imediatamente, não por efeito de conspirações malignas, mas em consequência de uma vulnerabilidade total. O País, o Estado, a Banca, muitas empresas e muitas famílias faliram. A assistência financeira externa foi indispensável. Começou a viver-se um novo ciclo que ainda não tem nome, mas cujos contornos são já conhecidos. A nova realidade do desemprego, da quase falência do Estado social, da falta de competitividade, da austeridade e do crescimento insuportável dos impostos veio para ficar. Iniciámos um longo período de crescimento muito baixo ou nulo. As oportunidades serão cada vez menos. A emigração será maior.

BRANDO DIAGNÓSTICO

Há muita gente que não acredita neste brando diagnóstico. Como não acreditou, durante década e meia, nos sinais de desgoverno e de decadência. Mas a vida acabará por impor a sua lei e a força da realidade. Tão cedo, antes de vários anos, os portugueses não voltarão a ter os níveis de rendimento, de bem-estar e de desafogo que conheceram, de modo crescente, durante duas ou três décadas.

As classes médias perderão algo que tinham, trabalhadores e classes mais desfavorecidas sentirão apertos maiores e apoios sociais menores. Na melhor das hipóteses, com muito trabalho, com um enorme esforço de reorganização do Estado e das finanças públicas e com uma imensa acção de atracção do investimento externo, os portugueses terão, dentro de cinco a dez anos, as primeiras impressões de um melhoramento real das suas vidas.

UE ESPATIFADA

Entretanto, as consequências políticas desta situação tornaram-se visíveis ou previsíveis. O Parlamento nacional encontra-se marginalizado e sem regresso. A política nacional está dependente e condicionada nos mais ínfimos pormenores. A Comissão Europeia foi espatifada. O Parlamento Europeu foi confirmado na sua mirífica irrelevância. As instituições europeias estão à mercê das duas grandes potências regionais e dos grandes grupos financeiros multinacionais.

Partidos e sindicatos europeus brilham pela sua ausência. As empresas europeias põem-se ao abrigo nacional ou multinacional, mas certamente não europeu. Nenhum movimento europeu se revelou até hoje com capacidade para emprestar a voz aos cidadãos, que, de qualquer maneira, se sentem menos europeus do que nunca.

PERDA DE DEMOCRACIA

Pior do que tudo: não há alternativa. Portugal (tal como qualquer outro país) terá de encontrar as suas soluções no quadro europeu. Não parece haver solução portuguesa para a portuguesa crise. O ultimato alemão e europeu é insuportável, as instruções para a revisão constitucional são intoleráveis e a interferência na escolha dos dirigentes políticos é inadmissível. Mas não se conhece outra solução, a não ser a aquiescência ou a resignação.

No quadro europeu, seguindo as regras de disciplina financeira e vivendo um longo período de austeridade e de crescimento quase nulo, Portugal terá a hipótese de preservar alguma aparência de democracia e uma reduzida margem de bem-estar e de apoio social. Mesmo se com independência mitigada. Fora da Europa, com algum proteccionismo, com a reestruturação da dívida e eventualmente a cessação de pagamentos, os portugueses conhecerão a pobreza e perderão o pouco que lhes resta de democracia. Não há volta a dar. Acreditem."

António Barreto in Correio da Manhã

Este país é para hipócritas

"(...) Se Passos Coelho fosse como outros, teria respondido que não, que o governo iria promover um plano para oferecer emprego aos professores não colocados. Que iria aumentar o número de professores nas escolas ou que iria promover a contratação de professores nas escolas privadas. Mas a via de Passos, como nos tem vindo a provar, não é a da hipocrisia nem da fantasia. É a da realidade. Seria mais fácil, politicamente falando, se fosse hipócrita? Talvez. Eu continuo a preferir esta total abertura de espírito para falar verdade do que tentar enganar as pessoas. De vendedores de fórmulas mágicas estou eu farto."

Ler o resto do texto de Nuno Gouveia aqui, no 31 da Armada

Uma série a acompanhar

Esperemos que esta não acabe a meio.

Se tu fosses ver o mar

Domingo, 18 de Dezembro de 2011

Das indecisões

Questionar o presente e o futuro tem sido aquilo que mais tenho feito nos últimos tempos. Questiono tudo, de uma ponta a outra, ponho em causa os pilares até aqui firmes da minha vida, analiso-me, procuro entender a razão da minha forma de ser, pensar e agir. Tento perceber o que verdadeiramente me interessa, entrego-me a esta actividade de "não fazer nenhum", de não produzir e apenas reflectir à procura de respostas para perceber o que quero deste mundo, deste tempo e deste local. Sou indeciso, já tive ambições outrora - tudo era mais fácil, branco e preto não se misturavam num caudal de sentimentos, pensamentos e paixões que se entrelaçam e acrescentam confusão ao confuso. A minha maior ambição seria saber o que quero amanhã. Chego, por vezes, a ausentar-me do dia de hoje, perdido nesta busca incessante daquilo que devo fazer no futuro. Para utilizar a linguagem modernaça, vivo em constante "brainstorming". Faço perguntas a mim mesmo e a alguns mais chegados sobre isto, ninguém me pode dar respostas, mas mesmo assim, procuro-os (procuro-vos se me estiverem a ler), pois gosto de ouvir vozes sensatas no meio desta indecisão. Uma indecisão que vê o tempo ao espreitar da esquina, que encolhe os ombros e que assim vai. Ando assim. Indeciso, sem saber o que quero, ando por aí a deambular. E tanta gente (sempre os outros que nos julgam) a pensar que sou o homem mais determinado do mundo. Talvez desiluda uns, talvez me humanize mais para outros - dou a conhecer quem sou nesta circunstância, neste bocadinho de tempo em que tenho esta idade, esta vida e estas ideias. E continuarei à procura de dar solução a tanto quebra-cabeças, continuarei a viver nesta crise existencial, continuarei a reflectir - o lado bom de tudo isto é que nos faz pensar, coisa que não acontece tanto quando estamos certos do caminho a trilhar. E agora quando terminar esta exteriorização de mim mesmo, vou sentir-me melhor, vou pensar: Hoje, revelei o que me tem atormentado, coloquei na rede, disponível à leitura e ao juízo de todos o que têm sido os meus últimos tempos. E isso explica tanta coisa...

Fim-de-semana

ADSE

Um texto obrigatório de ler - A minha tia gostava muito de ter ADSE, Henrique Raposo in Expresso Online

Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

Porque toda a gente sensata deveria ver este vídeo

Interessante

O dinheiro

Hoje tive uma pequena troca de palavras com uma jovem (a qual eu sabia de antemão que era comunista) sobre a questão dos passes para estudantes. A rapariga abordou-me com o intuito de eu assinar uma petição, que tem como objectivo evitar o fim deste título que garante o desconto de 50% a todos os jovens estudantes até aos 23 anos. Recusei assinar o documento e expliquei o motivo perante o espanto da minha interlocutora. Referi-lhe que vejo o actual sistema como injusto, pois trata o que é diferente de forma igual numa lógica igualitarista, quando para mim equidade é tratar de forma diferente o que é diferente. Quando pensei que a rapariga iria desistir do seu intento com a minha justificação, tal não aconteceu. Talvez instada pela minha posição, a rapariga continuou a conversa, onde cada um foi expondo os seus argumentos sobre a questão do passe estudantil. Quando chegámos à parte do sítio onde ir buscar o dinheiro - o que reina, como sabemos - a rapariga só me dizia estes sítios: "grandes fortunas, banca e grandes empresas". A questão emperrou aqui, pois cada vez que eu tentava explicar algumas desvantagens dessa única solução, a rapariga era intransigente e dizia sempre o mesmo. Fiquei a pensar: eu já sei que a questão da "luta de classes" é sempre o nó da trama no pensamento dos comunistas, mas fiquei a pensar que, tendo em conta a crise em que vivemos, será que essa é a única opção para eles, será que só vêem essa solução? Gente limitada, fiquei, também eu, a pensar.

Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

A TV nestes dias

Ligar a televisão tem sido, nos últimos meses, um quase acto de auto-flagelação ou de suporte à depressão individual e/ou colectiva. É certo que a realidade é o que é e não podemos esperar que nos telejornais não se fale da crise, do desemprego, da dívida, dos impostos e do diabo a sete. Porém, a meu ver, aquilo já começa a ser demais. Não estou a dizer que parem, a sua missão é informar e não esconder a realidade, seja ela dura ou não, estou apenas a dizer que esgotaram a minha paciência (e será que só a minha?). Para ver notícias, tenho de entrar num exercício reflexivo de afastamento para evitar ser engolido pelo furacão. O discurso da crise traz mais crise, é como que um alimento para um bicho esfomeado. Para além do ambiente de tragédia, existe também o lado eufórico. Triste mas eufórico. A crise e a sua cobertura noticiosa são a disforia e a euforia, ao mesmo tempo. Se a crise é a disforia para tanta gente, a sua cobertura parece uma euforia para os jornalistas. Às vezes, penso que estes profissionais abrem uma garrafa de champanhe ou comemoram à grande na redacção, quando os juros deste ou daquele país atingem novos recordes, quando uma agência de rating diz que somos "lixo" ou então, quando uma manifestação de sindicatos acaba numa batalha campal com a polícia. Os jornalistas parecem estar no meio de um orgasmo quando abordam assuntos. As pessoas em casa, nas suas dificuldades e no seu dia-a-dia, já devem ver os telejornais como um adepto ferrenho vê os jogos da sua equipa - num constante sobressalto emotivo. Depois quando os papagaios se calam, ficam as pessoas enterradas nos seus empréstimos, nas suas contas da água e da electricidade, na escola dos filhos, etc. E aqui temos a disforia. Ligar a televisão às 20h é o momento em que esta se transforma num género de orgia romana e por uma hora, a tristeza passa a ser vista como uma grande rambóia.

Hoje

Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

Leitura recomendada II

Vamos 1º ao argumento prático, no caso Português: Se os estímulos funcionassem, então Portugal teria tido uma década a crescer a 10% ao ano e não a uns míseros 0,5% – crescendo assim menos que a UE, numa inversão do cenário da década anterior – depois de Sócrates ter estimulado o país de inúmeras formas:

Ler o resto do texto de Ricardo Campelo de Magalhães aqui

Leitura recomendada

Sim, também acho: o Paulo Macedo é fascista, pá. Quem é que esse senhor julga que é para chegar a um debate na posse de números certíssimos? Se os factos, pá, são reacionários, os números são fascistas. Sim, porque o fascismo é isso. O fascismo esconde-se atrás dos números. O fascismo é um ministro da saúde preocupado com a falência iminente do SNS. O fascismo é um ministro dizer que metade das pessoas que vão a uma urgência hospital só precisa, na verdade, de um enfermeiro do centro de saúde ("ai, cortei o dedo, tenho de ir ver um cirurgião"). O fascismo é um ministro da saúde a governar a partir de um pressuposto idiota, a saber: os médicos e os medicamentos são caros. Que pressuposto tão fascista, pá. E, acima de tudo, o fascismo é este Paulo Macedo dar isenção a 5,4 milhões de portugueses, quando antes apenas 4,5 milhões tinham esse direito. Não posso mesmo com estes fascistas que apoiam os mais pobres da sociedade, pá

Ler o resto da crónica de Henrique Raposo aqui.

Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

Bons filmes


A fechar o dia

Para o Dr. Seguro


É este o desafio que se coloca, saber usar bem estes “impostos futuros”, embora o início de discussão pouco augure de bom. Nesta linha, o pagamento de dívidas do Estado (que além do mais têm juros de mora) é bem mais relevante nesta perspectiva do que aliviar a tributação adicional de 2011 (o equivalente a meio subsídio de Natal). Contribui também para resolver uma das exigências do Memorando de Entendimento que tem sido mais difícil de cumprir, apesar de só de vez em quando chegar às luzes da ribalta: os atrasos nos pagamentos a fornecedores do Estado. E temo que só o regularizar das dívidas leve bem mais do que os 2000 milhões de euros.

(...)

Pedro Pita Barros

Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Sábado, 3 de Dezembro de 2011

2110 III

2110 II

2110


You've got the best of both worlds
You're the kind of girl who can take down a man,
And lift him back up again
You are strong but you're needy!

Palavras sábias

"Os políticos que temos são o retrato da sociedade ou os portugueses são o espelho dos políticos?

Nunca encontro uma resposta adequada para essa pergunta. É muito corrente dizer-se que os políticos são o que é a sociedade, a televisão é o que é a sociedade, a universidade é o que é a sociedade, os juízes são o que é a sociedade… Reajo sempre contra isso. Há pessoas que têm de ser melhores que as outras, que têm de dar o exemplo. Os juízes têm que ser melhores que a sociedade, que os arguidos, os professores têm de ser melhores que os alunos, os dirigentes empresariais têm de ser melhores que os seus trabalhadores…

E porque é que não é assim?

Ainda não estamos lá. Há uma demagogia muito profunda, muito antiga na sociedade portuguesa, anti-elitista. Qualquer pessoa, seja qual for a sua origem, que se distinga é imediatamente sabotada. Os portugueses gostam de tudo o que é igualitarismo, o mais básico possível. O Fernando Lemos, que é um grande intelectual que vive exilado no Brasil há 40 ou 50 anos, ele, que agora fala meio brasileiro, diz: “Cara, em Portugal é terrível, porque cada vez que uma pessoa cresce mais um bocadinho corta-se-lhe a cabeça.”

E como é isso que se combate?

Não sei, infelizmente não há, nestas coisas, um batalhão para a moralidade pública… Olhe, é um caso parecido com o do investimento e a propriedade. Em Portugal há uma opinião firme contrária à propriedade, contrária à empresa privada, contrária ao investimento. Qualquer português que eu conheça gosta imenso da sua propriedade, e odeia e detesta a propriedade dos outros. Isto não dá condições de investimento, de desenvolvimento.

Isso vem-nos de onde?

É uma grande mistura. Portugal nunca teve uma tradição nem liberal, nem individualista. Talvez o facto de estar, por um lado, muito ligado à Igreja católica, por outro muito dependente do poder central, do Estado monárquico ou do Estado republicano, tenha criado esta dependência. Faz-me lembrar os tempos da China de Mao Tse Tung: havia 600 milhões de chineses vestidos da mesma maneira, a mesma túnica, o mesmo chapéu, aquilo era horrível, horrível, era o retrato do totalitarismo. A própria palavra empresário é malvista, a tal ponto que agora não se diz empresário, diz-se empreendedor, o que eu acho absolutamente ridículo. O empresário desenhou-se no tempo de Karl Marx, é um dos agentes mais revolucionários da história, que junta os factores de produção – capital, terra, máquinas, imóveis, comércio –, e organiza tudo isso."

Palavras sábias do grande António Barreto em entrevista ao jornal i. Ler aqui toda a entrevista.

Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

Quando o tempo ultrapassa as pessoas

"De repente, confrontados com o inevitável (e o inevitável é um brutal corte de despesa em tempo recorde), ei-los a botarem faladura como se não fosse nada com eles: Eanes fala em suavizar a austeridade e em estimular a economia; Soares esqueceu-se do que fez em 83-85 e anda por caminhos "alternativos"; Sampaio fala em diálogo e repete que há vida para além do défice (vê-se ); Cavaco esqueceu-se do "monstro" e quer poupar a Administração Pública ao inevitável Valha-nos Deus: porque não falaram quando a Troika por cá andou a negociar o ajustamento? Medo de levar "sopa"?"

Camilo Lourenço in Jornal de Negócios

9 de Fevereiro

Chega a Portugal em Fevereiro, o filme "Iron Lady" - o retrato da vida de Margareth Thatcher, uma das figuras mais importantes da história britânica recente e cuja interpretação da Lady Thatcher ficará a cargo da consagrada Meryl Streep. A não perder.