Esta placa esteve 24 horas no Largo de Mompilher no Porto.Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
E aqui há esperança? II
E aqui há esperança?
Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011
Esperança
Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011
Coisas que nunca mudam
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
Incerteza
"Como quase sempre na vida, os ciclos terminam antes que as pessoas se dêem conta. Algures em meados da década de noventa, os tempos da fartura e da prosperidade tinham acabado. Desde então, o crescimento estagnou, primeiro, desceu para níveis negativos, depois. Iniciou-se então uma época "entre ciclos", durante a qual se mantiveram as ilusões e a euforia, agora condimentada com doses inultrapassáveis de demagogia.
Vivia-se como se tudo fosse ainda possível, como se os cofres do Estado, das empresas e das famílias estivessem recheados. Como se ainda houvesse agricultura, floresta, pescas e indústria. Como se o investimento estrangeiro continuasse a procurar a nossa economia. Em poucas palavras, como se o progresso interminável estivesse garantido. O Estado prometia e pagava. As famílias gastavam. A Banca aproveitava. As empresas endividavam-se. O financiamento externo não cessava. Os avisos que alguns deram não tinham sequer eco, foram considerados sinais de senilidade e pessimismo. O futuro continuava radioso.
SEM SENSATEZ
A crise internacional e o colapso nacional mostraram a dimensão inacreditável do desastre e da demagogia. A fragilidade nacional surgiu em proporções inesperadas. A produção nacional era insuficiente, o consumo não parava de crescer. O défice público aumentava sem travões nem sensatez. As dívidas externa e interna, sobretudo a primeira, atingiam níveis dramáticos. A balança comercial afundava-se. Os emigrantes enviavam menos remessas e os imigrantes mandavam mais. O investimento externo reduzia-se. A expatriação de capitais aumentava. A deslocalização de empresas acelerava. Passámos a viver em desequilíbrio crescente e à custa dos credores.
O ataque à dívida soberana resultou imediatamente, não por efeito de conspirações malignas, mas em consequência de uma vulnerabilidade total. O País, o Estado, a Banca, muitas empresas e muitas famílias faliram. A assistência financeira externa foi indispensável. Começou a viver-se um novo ciclo que ainda não tem nome, mas cujos contornos são já conhecidos. A nova realidade do desemprego, da quase falência do Estado social, da falta de competitividade, da austeridade e do crescimento insuportável dos impostos veio para ficar. Iniciámos um longo período de crescimento muito baixo ou nulo. As oportunidades serão cada vez menos. A emigração será maior.
BRANDO DIAGNÓSTICO
Há muita gente que não acredita neste brando diagnóstico. Como não acreditou, durante década e meia, nos sinais de desgoverno e de decadência. Mas a vida acabará por impor a sua lei e a força da realidade. Tão cedo, antes de vários anos, os portugueses não voltarão a ter os níveis de rendimento, de bem-estar e de desafogo que conheceram, de modo crescente, durante duas ou três décadas.
As classes médias perderão algo que tinham, trabalhadores e classes mais desfavorecidas sentirão apertos maiores e apoios sociais menores. Na melhor das hipóteses, com muito trabalho, com um enorme esforço de reorganização do Estado e das finanças públicas e com uma imensa acção de atracção do investimento externo, os portugueses terão, dentro de cinco a dez anos, as primeiras impressões de um melhoramento real das suas vidas.
UE ESPATIFADA
Entretanto, as consequências políticas desta situação tornaram-se visíveis ou previsíveis. O Parlamento nacional encontra-se marginalizado e sem regresso. A política nacional está dependente e condicionada nos mais ínfimos pormenores. A Comissão Europeia foi espatifada. O Parlamento Europeu foi confirmado na sua mirífica irrelevância. As instituições europeias estão à mercê das duas grandes potências regionais e dos grandes grupos financeiros multinacionais.
Partidos e sindicatos europeus brilham pela sua ausência. As empresas europeias põem-se ao abrigo nacional ou multinacional, mas certamente não europeu. Nenhum movimento europeu se revelou até hoje com capacidade para emprestar a voz aos cidadãos, que, de qualquer maneira, se sentem menos europeus do que nunca.
PERDA DE DEMOCRACIA
Pior do que tudo: não há alternativa. Portugal (tal como qualquer outro país) terá de encontrar as suas soluções no quadro europeu. Não parece haver solução portuguesa para a portuguesa crise. O ultimato alemão e europeu é insuportável, as instruções para a revisão constitucional são intoleráveis e a interferência na escolha dos dirigentes políticos é inadmissível. Mas não se conhece outra solução, a não ser a aquiescência ou a resignação.
No quadro europeu, seguindo as regras de disciplina financeira e vivendo um longo período de austeridade e de crescimento quase nulo, Portugal terá a hipótese de preservar alguma aparência de democracia e uma reduzida margem de bem-estar e de apoio social. Mesmo se com independência mitigada. Fora da Europa, com algum proteccionismo, com a reestruturação da dívida e eventualmente a cessação de pagamentos, os portugueses conhecerão a pobreza e perderão o pouco que lhes resta de democracia. Não há volta a dar. Acreditem."
António Barreto in Correio da Manhã
Este país é para hipócritas
Domingo, 18 de Dezembro de 2011
Das indecisões
ADSE
Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
O dinheiro
Domingo, 11 de Dezembro de 2011
Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011
A TV nestes dias
Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
Leitura recomendada II
Leitura recomendada
Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011
Para o Dr. Seguro
Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
Domingo, 4 de Dezembro de 2011
Sábado, 3 de Dezembro de 2011
2110
Palavras sábias
Nunca encontro uma resposta adequada para essa pergunta. É muito corrente dizer-se que os políticos são o que é a sociedade, a televisão é o que é a sociedade, a universidade é o que é a sociedade, os juízes são o que é a sociedade… Reajo sempre contra isso. Há pessoas que têm de ser melhores que as outras, que têm de dar o exemplo. Os juízes têm que ser melhores que a sociedade, que os arguidos, os professores têm de ser melhores que os alunos, os dirigentes empresariais têm de ser melhores que os seus trabalhadores…
E porque é que não é assim?Ainda não estamos lá. Há uma demagogia muito profunda, muito antiga na sociedade portuguesa, anti-elitista. Qualquer pessoa, seja qual for a sua origem, que se distinga é imediatamente sabotada. Os portugueses gostam de tudo o que é igualitarismo, o mais básico possível. O Fernando Lemos, que é um grande intelectual que vive exilado no Brasil há 40 ou 50 anos, ele, que agora fala meio brasileiro, diz: “Cara, em Portugal é terrível, porque cada vez que uma pessoa cresce mais um bocadinho corta-se-lhe a cabeça.”
E como é isso que se combate?Não sei, infelizmente não há, nestas coisas, um batalhão para a moralidade pública… Olhe, é um caso parecido com o do investimento e a propriedade. Em Portugal há uma opinião firme contrária à propriedade, contrária à empresa privada, contrária ao investimento. Qualquer português que eu conheça gosta imenso da sua propriedade, e odeia e detesta a propriedade dos outros. Isto não dá condições de investimento, de desenvolvimento.
Isso vem-nos de onde?É uma grande mistura. Portugal nunca teve uma tradição nem liberal, nem individualista. Talvez o facto de estar, por um lado, muito ligado à Igreja católica, por outro muito dependente do poder central, do Estado monárquico ou do Estado republicano, tenha criado esta dependência. Faz-me lembrar os tempos da China de Mao Tse Tung: havia 600 milhões de chineses vestidos da mesma maneira, a mesma túnica, o mesmo chapéu, aquilo era horrível, horrível, era o retrato do totalitarismo. A própria palavra empresário é malvista, a tal ponto que agora não se diz empresário, diz-se empreendedor, o que eu acho absolutamente ridículo. O empresário desenhou-se no tempo de Karl Marx, é um dos agentes mais revolucionários da história, que junta os factores de produção – capital, terra, máquinas, imóveis, comércio –, e organiza tudo isso."
Palavras sábias do grande António Barreto em entrevista ao jornal i. Ler aqui toda a entrevista.




