Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

VERGONHA!

Chefias da Segurança Social foram promovidas com retroactivos a Janeiro de 2010.

"Cooperação estratégica"

Para todos os que não sabem ou não desejam saber, deixo aqui um exemplo da "cooperação estratégica" - um termo, tantas vezes pronunciado pelo Presidente da República - entre Belém e S. Bento.

Comunicado sobre o diploma que regula o apoio do Estado aos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo

A propósito do diploma que regula o apoio do Estado aos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo, a Presidência da República divulga o seguinte comunicado:

1. A Presidência da República manifestou ao Governo, em devido tempo, reservas quanto a algumas soluções contidas no diploma, remetido para promulgação, regulando o apoio do Estado aos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo.

2. Na sequência de um diálogo estabelecido entre a Presidência da República e o Governo, foi possível encontrar um texto que, sem pôr em causa as opções políticas da exclusiva competência do Governo, acolhe com razoabilidade os princípios de estabilidade contratual e de confiança que devem estar presentes numa matéria de tão grande relevância.

3. Assim, o novo texto confere maior densificação aos critérios relativos à celebração e renovação dos contratos, consagra o carácter plurianual e renovável dos mesmos por acordo das partes e salvaguarda as condições de transição dos contratos actualmente em execução.

4. Além disso, o novo quadro legal não contém matéria que afecte as negociações em curso para determinação do financiamento destes estabelecimentos de ensino, pelo que não está em causa a introdução de imprevisibilidade nas relações contratuais vigentes.

5. Tendo em conta a evolução verificada, que contempla de modo satisfatório as principais dúvidas que a versão inicial suscitara, entendeu o Presidente da República promulgar o diploma.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

José Sócrates, 2000

Paulo Portas, 1995 (ampliar aqui)

Saúde tendencialmente gratuita III

Quando a praxis não condiz com a retórica. Enchem a boca a falar do Estado Social e reclamam-se como os únicos que o defendem, ao contrário dos malvados "neo-liberais fascistas" que o querem arruinar, mas depois cada vez que mexem nele, cravam-lhe um buraco nas costas. O Estado Social vê-se nas acções que tomam e não nos discursos inflamados que proferem. Mais um exemplo para memória futura.

Saúde tendencialmente gratuita II

Foi ontem publicada a portaria 1319/2010 do Ministério da Saúde. Este diploma regula, entre outras questões, a isenção de pagamento de taxas moderadoras na acesso à saúde. A partir de 1 de Janeiro de 2011, apenas terão direito a isenção os pensionistas, os desempregados e os seus familiares, incluindo filhos menores dependentes, se os seus rendimentos não ultrapassarem o salário mínimo nacional. Isto é, 485€ mensais em 2011 (quatrocentos e oitenta e cinco euros por mês).

Saúde tendencialmente gratuita

Consultas:
1 Hospitais centrais . . . . . . . . . . . . . . . . . 4,60 €
2 Hospitais distritais . . . . . . . . . . . . . . .. . 3,10 €
3 Centros de saúde . . . . . . . . . . . . . .. . . . 2,25 €

Urgência:
4 Urgência polivalente . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . .. . . . . . .. . . . 9,60 €
5 Urgência básica e urgência médico-cirúrgica . . . . . . . . . . 8,60 €
6 Centros de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . 3,80 €

Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

O salazarismo de Alegre e da esquerda

Nota: Um grande texto com o qual me revejo vírgula após vírgula.

"É a esquerda que precisa de Salazar. Manuel Alegre precisa de Salazar. Alegre precisa de ver um Salazar em cada esquina. E o apego a este ópio salazarista é tão grande, que Alegre já vê Salazar na UE. Para o nosso bardo de Águeda, a Europa é uma espécie de fascismo azul com estrelinhas amarelas no lugar dos fachos amarelinhos do passado. Merkel é, aliás, a Salazar de saias. Salazar, Salazar, Salazar, e uma pitada de PIDE: é tudo o que Alegre tem. Sem Salazar, Alegre não era nada. Sem a PIDE, Alegre seria um absoluto e cómico vazio. Salazar já saiu de Alegre (e do resto do país), mas Alegre não sai de Salazar.

É triste, mas é verdade: no ano da graça de 2010, Alegre ainda usa a PIDE como argumento político. Às portas de 2011, Alegre ainda precisa de invocar a PIDE para se sentir superior em relação aos adversários. Isto até seria cómico se não revelasse uma doença profunda, a saber: o provinciano complexo de superioridade das esquerdas. Ao levantarem as imaginárias lebres salazaristas, ao verem Salazares em cada esquina, as esquerdas criam o ambiente onde se sentem moralmente superiores. Aquele narizinho empinado depende da eterna presença de Salazar. Estamos em 2010, mas esta boa gente descobre sempre um Salazar em cada debate. Reforma do SNS? É um regresso ao salazarismo, segundo Arnaut. Reforma geral do Estado social? É uma vingança dos ressabiados que nunca aceitaram 1974, diz Soares. Eu nasci em 1979, defendo ideias que são o senso comum na Dinamarca ou na Polónia, mas - no meu país - sou apelidado de 'salazarista'. Defendo a europeização de Portugal, defendo ideias europeias de 2010, mas dizem-me que - na verdade - quero apenas voltar ao Portugal de 1960. E isto acaba por gerar a desonestidade intelectual que é a matriz do nosso espaço público: aqueles que querem adaptar Portugal a 2010 são cunhados de 'fascistas', 'salazaristas' ou 'neoliberais'. Sim, sim, a atual lengalenga sobre o 'neoliberal' é uma atualização do 'fascista'. Em 2010, até parecia mal apelidar alguém de 'fascista'. Donde a cunhagem do termo 'neoliberal', que é uma espécie de fascista-que-não-vai-à-missa-mas-à-bolsa-de-valores. Com um pouco de sorte, ainda descobrem que Salazar lia Friedrich Hayek na casa de banho.

Mas o mais irritante é perceber que estes-dependentes-de-Salazar são parecidos com Salazar. O que é mesmo triste é ver que estes-viciados-no-termo-neoliberal pensam como Salazar. Sim, sim, Alegre é muito parecido com Salazar. Na esteira de Salazar, Alegre é anticosmopolita e patrioteiro. À semelhança de Salazar, Alegre odeia a Europa e, sobretudo, a integração de Portugal na Europa. Tal como Salazar, Alegre é dado ao antiamericanismo, esse mingau obrigatório da velha classe política portuguesa. Seguindo a tradição paternalista de Salazar, Alegre acha que o Estado serve para proteger os portugueses do contacto com o exterior malévolo (os agiotas, o imperialismo de Bruxelas, o diktat alemão). Sim, Manuel Alegre é o candidato da linguagem salazarista, da língua de trapos nacionalista, do bolor soberanista, da retórica que pula e grita "Portugal é uma velha nação que não precisa da Europa para nada". É por isso que este eterno deputado é o cartoon perfeito de um movimento que está a ganhar força na sociedade portuguesa: o neossalazarismo de esquerda, o 'orgulhosamente sós' em versão socialista."

Henrique Raposo in Expresso

Domingo, 26 de Dezembro de 2010

Sebastian Vettel - O mais jovem da F1*


Tem 23 anos, é alemão e em 2010 confirmou-se que tem jeitinho ao utilizar as mãos. Chama-se Sebastian Vettel e é o mais jovem campeão do mundo de Fórmula 1. Apesar de ser um jovem, já tem uma longa experiência no automobilismo: Aos 7 anos já participava em competições de Kart e aos 18 anos, na competição de juniores (F-BMW), venceu 18 das 20 corridas da competição. Nos anos seguintes, disputou o campeonato de Formula 3 na Europa e não demorou muito a despertar o interesse da escudaria da BMW. E assim aos 19 anos, já era o 3º piloto da equipa BMW Sauber, tendo chegado a participar nos treinos livres para GP da Turquia, o que fez dele o mais jovem piloto a participar numa competição de F1. A sua estreia oficial ocorreu em 2007, no GP dos Estados Unidos da América, onde substituiu o piloto titular Robert Kubica. No fim da prova, terminou em oitavo lugar e conquistou os primeiros pontos da sua carreira. Ainda no ano de 2007, Vettel transferiu-se para a Scuderia Toro Rosso e foi ao serviço desta que, no dia 14 de Setembro de 2008 em Itália, conquistou o primeiro Grande Prémio da sua carreira na categoria – o que fez do automobilista alemão o mais jovem de sempre a conquistar um grande prémio. Já nesta altura, o futuro parecia risonho a Vettel.

Em 2009, transfere-se para a Red Bull, onde foi o ocupar o lugar que era do histórico David Coulthard, e na sua época de estreia consegue um orgulhoso segundo lugar, ficando apenas atrás do então campeão Jenson Button. O céu estava cada vez mais ao alcance do jovem alemão e na temporada de 2010, venceu 5 Grande Prémios (Malásia, Europa, Japão, Brasil e Emirados Árabes Unidos) tendo conquistado o campeonato do mundo de F1 com 256 pontos, quatro pontos a mais que o vice-campeão, Fernando Alonso da italiana Ferrari. A última corrida e que deu a vitória a Vettel ocorreu no dia 14 de Novembro na corrida de Abu Dhabi.

Assim, aos 23 anos, 4 meses e 11 dias, Sebastian Vettel tornou-se o campeão de F1 mais novo da história. O jovem alemão já tinha sido o piloto mais novo a participar numa corrida, bem como, a vencer um Grande Prémio. Sem dúvida, nasceu para vencer e ao que parece tem muita pressa. O ano de 2010 já lhe valeu o prémio de melhor desportista da Alemanha, distinção com a qual concordo plenamente. No desporto, o ano de 2010 e o campeão Vettel são indissociáveis.



* Texto publicado no blog Minuto Zero, enquadrado na secção "Semana Melhores do Ano (2010)", onde cada cronista escolhe a personalidade do ano de 2010 que mais se destacou no mundo desportivo. A minha escolha foi o campeão de F1, Sebastian Vettel.

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Feliz Natal

Desejo a todos um Feliz e Santo Natal na companhia daqueles que mais amam!

Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Democracia à moda de Caracas

A "democracia" de Chávez - grande amigo e ideário dos socialistas portugueses - acaba de aprovar mais duas medidas, que concerteza merecerão o apanágio e louvor de alguns democratas da nossa praça. Mas depois, em Abril, andam de cravos na lapela e na mão.

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Dá que pensar II

Dá que pensar

"Em Abril, ou Maio, houve um Conselho Europeu e o eng. Sócrates voltou, com um puxão de orelhas da Merkel, dizendo: os alemães disseram 'Portugal tem de fazer coisas!' Nos dias seguintes foram anunciadas duas medidas. Primeira, cortes no subsídio de emprego e no rendimento social de inserção; Depois, manutenção do TGV para o futuro. E eu percebi... Um Governo socialista vai cortar o subsídio de desemprego e o rendimento social de inserção, mas não consegue enfrentar quem o suporta, quem lhe paga, que são as construtoras... Esse facto despertou-me a atenção para o nível a que estes grupos instalados estão, de facto, a controlar a política"

João César da Neves em entrevista ao DN

Da actualidade

1. Cavaco à esquerda.
Ora aí está, essa é que é essa. Eu explico: Cavaco ultrapassou todos pela esquerda ao dizer, no debate com Fernando Nobre, que não é pela alteração da legislação laboral que se resolvem os problemas do país. E esta, hein? Apanhou de surpresa a direita (Passos e Portas), o PS de Sócrates e até os candidatos presidenciais, Manuel Alegre e Fernando Nobre. Nobre nesta matéria situa-se à direita de Cavaco, visto que já defendeu que uma ou outra alteração ajudaria o país.

2. Avaliação das PPP's e obras públicas.
É inacreditável que a comissão acordade entre PS e PSD para reavaliar as parcerias público-privadas e os grandes projectos de obras públicas ainda não esteja constituída. E ainda mais o é não estar pelo facto do Partido Socialista ter rejeitados os nomes propostos pelo PSD. E quem são esses presumíveis neo-liberais?! Freitas do Amaral, antigo Ministro de Sócrates e Ferreira do Amaral, economista da área socialista e antigo acessor do Presidente Jorge Sampaio. Sinal de pluralidade do PSD e o que dizer do comportamento do PS?

3. A Europa e as medidas de Sócrates.
O governo apresentou, na semana passada, um conjunto de medidas. É sabido que estas foram uma exigência de Bruxelas. Mas não será estranho que Bruxelas continue a insistir em mais e mais medidas para que Portugal resolva os seus problemas? Até seria, mas neste caso não é. Bruxelas continua a exigir que Portugal apresenta mais medidas, pela simples razão de que não acredita que o que está no Orçamento de Estado (aprovado recentemente) venha a ser cumprido. Ou seja, só nos pedem mais provas, porque sabem que - muito provavelemente - vamos voltar a não cumprir. Se tivessem essa certeza, não nos deixariam agora governar a nossa própria casa? Muita água ainda há-de correr.

4. A desconfiança de Bruxelas.
E eis um dos motivos pelos quais Bruxelas não acredita em nós: O défice do SNS em relação a 2010 poderá ser muito maior do que o valor que Teixeira dos Santos admitiu em Outubro. Na altura, o ministro falou num 'buraco' de 500 milhões, agora surgem notícias e vozes da área política a afirmar que o défice das contas do Serviço Nacional de Saúde ronda os 2 mil milhões de euros. A confirmar-se, no mínino, a demissão da Ministra da Saúde é justificável.

5. Programa de governo nas presidenciais.
No passado - após a eleição de Cavaco - alguns senhores da esquerda diziam que se corria o risco da presidencialização do regime, pois o Presidente tinha um grande pendor executivo. Passaram cinco anos e não se assistiu a nenhuma das referidas previsões. Hoje, temos um candidato - apoiado pelo BE e pelo PS - que afirma isto: "comigo ninguém toca no SNS, ninguém toca da Segurança Social pública, ninguém toca no conceito de justa causa e ninguém toca na escola pública". E agora já não falam do perigo da presidencialização. Cavaco oferece um plataforma de facilitação sustentada pela concepção de "cooperação estratégica" de forma a que o país possa crescer. Alegre oferece um programa de Governo e uma promessa de oposição a tudo o que não seja o dele.

Domingo, 19 de Dezembro de 2010

O Messias da Luz

O futebol é um jogo amoral, não vive de grandes raciocínios, só contam as consequências. O seu tribunal apenas decide em função do último resultado. É esse o grande drama de Jorge Jesus na Luz. Ele nunca será julgado ou condenado pelas suas brilhantes e inconsequentes frases que, normalmente, contradizem o que foi dito no minuto anterior, na semana anterior ou no mês anterior. Jorge Jesus é a contradição em pessoa porque não tem ideias formadas. Hipnotizado por um ano de sucesso julgou que não precisava de crescer intelectualmente. Prometeu a Champions League e agora está na Liga Europa por sorte. Disse que ia revalidar o título de campeão e este ano acabou vexado no Dragão. Agora o céu caiu-lhe em cima da cabeça. Não havia limites aos sonhos de Jorge Jesus e dos fiéis adeptos benfiquistas.

O problema de Jorge Jesus foi que se no primeiro ano como treinador do Benfica pode adoçar o seu ego como queria, porque ia ganhando e os jogadores aceitavam a sua liderança, este ano essa arquitectura desmoronou-se. O Benfica deixou de ganhar e aí começou o calvário de Jorge Jesus. E a bola de neve foi aumentando: os novos reforços não convenceram, as suas frases de auto-elogio esquecendo os jogadores tornaram-se patéticas, as exibições tornaram-se depressões contínuas. Sabe-se como é no futebol. Uma vitória vale a unanimidade. Várias derrotas transformam o herói de ontem no vilão de hoje. De bestial passa-se, num abrir e fechar de olhos, a besta. O treinador Jorge Jesus deixou de ser o Super-homem. O que vale para ele vale para os jogadores: quando alguém usa o drible e sai bem é um génio. Se sai mal é uma galinha. Na época passada, Jorge Jesus era um mestre: transformara o Di Maria num mago. Esta época é um asno: onde toca faz asneira. Veja-se a equipa que fez alinhar no jogo contra o FC Porto. Na época transacta cada substituição era um toque de génio. Esta cada vez que faz uma substituição afunda a equipa.


Os adeptos de futebol não têm paciência para grandes discursos. Querem resultados. Ou ganham ou pedem a cabeça de treinador e jogadores. No futebol não há tempo. Há liderança, vontade de vencer e vitórias. Tudo o resto é irrelevante. As declarações bem-intencionadas valem zero. As desculpas em conferências de imprensa idem aspas. O discurso do futebol não muda, por mais estatísticas, SAD e projectos a prazo que se inventem. É um desporto básico que causa alegrias e frustrações com facilidade. Quem o encarar de outra maneira está errado. Levá-lo a sério, como tenta fazer o sr. Jorge Jesus, sai caro. Ao próprio, é claro. Como o verdadeiro Messias, Jorge Jesus estará provavelmente na sua quaresma, não tarda muito e é crucificado.


Texto também publicado aqui
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

"O Reprobatório" Social

A concepção que tenho da sociedade é a de um espaço onde quem mais tem ajuda quem menos tem. Onde cada um, segundo as suas possibilidades, ajuda o outro nas necessidades. Posto isto e após ter tido conhecimento de que a Ajuda de Berço corre o risco de fechar portas por falta de meios financeiros, faço um apelo para que cada um ajude. Já está disponível uma linha telefónica 760 300 410 para esse efeito. O pequeno contributo de todos servirá para a grande tarefa que a Ajuda de Berço tem nas suas mãos.

Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Inesquecível

A melhor descrição

Há muito tempo que considero que não há na blogosfera portuguesa, uma descrição de um blogue melhor do que esta, ora vejam:

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

Lirismos

Em relação a esta notícia, faço cópia de um texto anónimo que estava na caixa de comentários:

"No antigamente, quando alguem queria tirar passaporte para ir ao estrangeiro, quer em turismo, a estudar ou negócios tinha que o pedir no Governo Civil. Se estava catalogado no regime, o passaporte aparecia-lhe normalmente. Se não era "conhecido" do Regime, era convocado por postal para ir à Policia Política prestar declarações. Aí tinha que explicar porque queria o passaporte, o que ia fazer e quem ia contactar. Terminava o inquérito com uma declaração em que nada tinha contra o País. Confirmado isto, era-lhe enviado o passaporte. Acontecia assim com toda a gente e comigo também. Com Cavaco possivelmente a mesma coisa. Só que o Poeta que nunca trabalhou, nem acabou o curso de Direito e exige que o tratem por DR, naõ conta a verdade como era. Limita-se a destilar o veneno e oculta a verdade. Deus nos livre de algum dia termos um reptil destes a representar o País."

Domingo, 12 de Dezembro de 2010

2ª Divisão Europeia

Penso que é inédito, mas aconteceu. Porto, Sporting, Benfica e Braga juntos na Liga Europa. Desde que vejo futebol, nunca tinha assistido a tal situação. Mesmo antes, quando esta competição se chamava Taça UEFA, este facto nunca se consumou. Ora era o Porto, ora era o Sporting ou o Benfica (quanto ao Braga, é relativamente novo nestas “andanças”), quase sempre isolados ou quanto muito dois deles. Assim foi, em 2003 quando o Porto venceu o troféu (na altura, acompanhado até às meias pelo Boavista) e depois em 2005 quando o Sporting foi finalista vencido.

Este ano, a história é outra. Porto e Sporting passearam pelos grupos, distribuindo golos e tareias a quem vinha. Para dragões e leões, a fase de grupos assemelhou-se a um treino. Da Liga dos Campeões, veio o campeão Benfica – aos trambolhões e com sorte – e o Braga, de cabeça erguida após a primeira prestação na grande competição europeia de clubes. Daqui resulta que as quarto melhores equipas marcarão presença no sorteio dos 16 avos de final da Liga Europa, a ter lugar em Nyon (Suíça) no próximo dia 17 de Dezembro. Sporting, Porto e Braga serão cabeças de série nesta fase, evitando um ou outro tubarão que por lá também anda. Quanto ao famigerado Benfica, salvo pelo Lyon a escassos minutos do fim, não terá a mesma sorte e segue para o segundo pote do sorteio. Não obstante, será aliciante assistir ao desenrolar desta competição e mais ainda, caso as equipas portuguesas aguentem até aos oitavos ou quartos de final. Quem sabe se não poderemos vir a ter jogos entre as equipas portuguesas. Um jogo dos quartos ou quem sabe, uma final.

Destaco ainda outro pormenor, esta presença em poker das equipas portuguesas na Liga Europa, apesar de rara, não deverá constituir uma grande surpresa, pois fazendo uma análise séria e sem facciosismos, quer clubistas quer nacionais, as equipas portuguesas – fazendo a devida excepção ao Porto desta época – não têm estatuto para disputar (com ambições e com alta competitividade) a Champions League. A verdade é esta. Então Sporting, Benfica e Braga é certinho. Quanto ao FC Porto, há épocas em que consegue andar no meio dos gigantes. Este Porto de Villas Boas merecia estar na Liga dos Campeões. Ou seja, tirando ou outro ano mágico dos dragões, a Euro Liga é – por excelência - a divisão europeia dos clubes portugueses. É lá que se aceitam discursos de treinadores e presidentes em que se pede e se sonha com a taça. A mim não me choca e quanto ao meu Sporting, encaro sempre com bons olhos a presença nesta competição. Pena é perder os “milhões” da Champions. A realidade não desmente, os nossos melhores clubes pertencem – sem preconceitos e com a coluna erguida – à 2ª divisão europeia de futebol. É mau? Poderia ser pior. Pensei na Polónia ou na República Checa, nem isso conseguem.

Texto também publicado aqui.

Sábado, 11 de Dezembro de 2010

PISA

Analisando uma das minhas áreas preferidas, a Educação, não posso deixar de fazer um pequeno comentário - nunca poderia ser longo, pois não li o relatório (talvez o faça nas férias de Natal) - aos dados do Relatório PISA 2009. Destaco a subida de Portugal em todos os domínios (Matemática, Literatura e Ciências) e a aproximação da média europeia. É um bom indicador. A Educação é essencial para o país, logo melhorar neste sector é um bom tónico para o desenvolvimento de Portugal. Ainda há muito trabalho a fazer, não se pode pensar que já está tudo feito. Urgente, na minha opinião, será igualmente rever alguns pontos do nosso sistema de ensino.

A renúncia de Miguel Vale de Almeida e o lobby no parlamento

"Há cerca de um ano e meio, Miguel Vale de Almeida escrevia este post. Algum tempo depois integrava as listas do PS. Na altura, eu disse que não via com bons olhos esta forma de encarar a política, não por ser MVA a usar a política para fazer lobby (todos os cidadãos o devem fazer), mas sim pelo PS que estava a usar uma característica de alguém para vender uma imagem. Essa imagem, da modernidade, da vanguarda, é uma imagem que o PS nunca terá porque é, de facto, um partido do centrão, cinzento. E é assim porque é assim que o eleitorado vota nele (e no PSD). Mas quando essa vanguarda representa um número significativo de votos, o PS avança mesmo que hipocritamente. Não acredito que MVA fosse ingénuo ao ponto de acreditar que José Sócrates seria muito diferente desse PS centrão e que agora se tivesse apercebido disso e recuado no seu apoio. Aliás, já tinha alguns exemplos de como o PM prefere a imagem ao conteúdo: Correia de Campos e Maria de Lurdes Rodrigues são os que me ocorrem assim de repente. Também não creio, pelo respeito que tenho por MVA, que o agora ex-deputado encare o lugar no Parlamento com displicência. Custa-me, aliás, que tenha dito que o seu objectivo era apenas um.

Uma bancada parlamentar deve ser uma equipa. Um jogador não abandona uma partida depois de marcar um golo porque já cumpriu o seu objectivo. Certamente que muitos dos que votaram no PS por causa de MVA e da sua causa tinham mais expectativas. Foi essa a ideia com que fiquei quando confrontei algumas pessoas com a ideia de que o único motivo pelo qual lá estava era o casamento entre pessoas do mesmo sexo (cpms) e me garantiram com veemência (quase me mataram) que não, que havia ali muito mais cidadania para dar e vender. Pois não é isso que o Miguel diz e confirma-se o receio que tinha de se estar a instrumentalizar a Assembleia da República para pouco tempo depois sair. Era muito interessante que agora todos os deputados o começassem a fazer. Faziam lobby por um interesse de um grupo específico, concretizava-se e punham-se a andar. Que belo Parlamento com que ficávamos. Vão-me desculpar, mas não é aceitável.

Esta semana vi, pela primeira vez Milk, curiosamente. Harvey Milk é um personagem interessante que, apesar de tudo, nunca desistiu. Não se limitou a ser apenas o elemento gay. Ele sabia que a vanguarda que defendia não parava, não acabava na aprovação de uma lei específica e havia muito mais lutas. No caso de MVA muitas mais, mesmo dentro do PS, como o ministro Silva Pereira a fazer declarações como as últimas relativas ao apadrinhamento de crianças por casais homossexuais. Se isto não é motivo para continuar a fazer lobby, se as questões de igualdade de género se reduzem ao cpms, então teremos todos razão para falar em causas fracturantes com o devido perjúrio? Não se admire o Miguel que esta seja a consequência da sua saída abrupta: um total desrespeito pelos causídicos das ditas fracturantes e a perda de força do lobby. Como se pode depois disto argumentar em torno de uma causa específica sem ser desvalorizado (ainda mais)? As críticas às causas fracturantes irão certamente aumentar, tendo agora uma arma de arremesso muito forte. A descredibilização dos seus defensores é agora inevitável e para muitas questões de direitos fundamentais isso poderá ser muito complicado."

Jorge Lopes de Carvalho in Manual de maus costumes

Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

A história da carochinha

"Era uma vez uma carochinha que um belo dia andava a varrer a casa e encontrou uma moeda nova. Bem, não era pro- priamente uma moeda, mas apenas um papelinho, chamado Tratado de Maastricht, que dizia que, se ela se portasse bem, um dia podia ter a moeda única. A carochinha ficou muito contente, vestiu o seu melhor vestido e pôs-se à janela a cantar:

- Quem quer casar com a carochinha, que é formosa e bonitinha?

Passou por ali naquela altura um leão, chamado Cavaco, que disse: "Quero eu! Quero eu!" Mas o leão rugia muito alto, e garantia que para ter uma moeda única era preciso trabalhar, ter competitividade e vencer o desafio europeu. A carochinha respondeu:

- Ai que voz essa? Com tanto barulho não me deixas dormir! Contigo é que não quero casar!

O leão foi-se embora, voltando para a sua universidade, e a carochinha tornou a cantar:

- Quem quer casar com a carochinha, que é formosa e bonitinha?

Passou então um pato chamado Guterres, que disse "Quero eu! Quero eu!" O pato Guterres tinha uma viola e cantava muito bem sobre diálogo, coração, paixão da educação e outras coisas lindas. Foi então que veio a notícia de que a carochinha tinha sido aceite na moeda nova, o euro. Ficaram os dois muito contentes e, como estavam mesmo a planear casar-se, o pato comprou um grande caldeirão.

Durante um tempo os dois pareciam muito felizes mas, como o caldeirão tinha um furo, o pato gastava cada vez mais dinheiro para o encher e começaram a endividar-se nas mercearias das redondezas. A dívida externa da carochinha, que era de 8% do PIB quando o pato chegou, já ia nos 50%. Então o pato fugiu. Diz-se que foi cantar para a ONU, e de vez em quando ainda se ouvem as suas músicas na televisão.

A pobre carochinha, com a moeda única e a dívida do caldeirão a subir, foi de novo pôr-se à janela à procura de marido, cantando a sua canção. Nessa altura passou por ali o coelho Barroso, muito saltitão, que disse "Quero eu! Quero eu!"

Quando viu a situação, o coelho Barroso achou que a carochinha estava de tanga e começou a rugir como o leão. Só que agora, como de qualquer maneira não conseguia dormir de aflição por causa da dívida, a carochinha lá se conformou com o barulho, desde que se fizesse alguma coisa para resolver o buraco no fundo do caldeirão.

O coelho até tinha bons planos, mas um belo dia passou por ali uma carochinha belga, muito bonita e muito rica. Ela e o coelho apaixonaram-se e fugiram juntos, deixando a carochinha outra vez sozinha com a moeda única e o caldeirão. E já voltou a pobre à janela e à sua canção.

Até que passou por ali o belo galo Santana, que cantava muito bem. Só que o pai da carochinha, que não gostava nada de galos, expulsou-o rapidamente e eles nem tiveram tempo de conversar.

Mais uma vez a pobre carochinha teve de regressar à sua janela e à sua canção, enquanto a dívida externa do caldeirão já ia nos 65% do PIB. Passou finalmente o José Ratão, que disse logo que resolvia tudo. Este não rugia, como o leão ou o coelho, nem cantava, como o pato ou o galo. O que ele fazia era falar. Falava, falava muito. Tinha imensas ideias excelentes. Dizia que a solução era o Simplex, as reformas da administração pública, Segurança Social e outras coisas, e até ia conseguir tirar do caldeirão grandes obras, como o TGV, aeroportos e auto-estradas, tudo em parcerias público-privadas baratíssimas.

A carochinha ficou apaixonada e decidiu casar-se depressa até porque, apesar da conversa do José, as coisas estavam cada vez pior. Não só a dívida já ia acima dos 100% do PIB, mas na aldeia falava-se de uma vizinha, a carochinha grega, também solteira e com um caldeirão ainda maior, a quem as mercearias já ameaçavam atirar ao lobo FMI. Mas o Ratão sossegou-a, garantindo que a culpa da situação era das agências de rating e que ele resolveria tudo com PEC. Só que, quando se debruçava no caldeirão para tapar o buraco com o terceiro PEC, caiu lá dentro.

Assim acaba a história da linda Carochinha que achou uma moeda e do seu José Ratão, que morreu cozido e assado no caldeirão."

João César das Neves in Diário de Notícias

Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Honra Lusitana

Na passada semana, a FIFA escolheu o país que ficará responsável pela organização do Mundial de 2018. A escolha foi o país dos czares, a Rússia. Rapidamente, a imprensa, nomeadamente aquela proveniente dos países que perderam a organização – inglesa, espanhola e portuguesa – iniciaram a sua campanha contra a FIFA e a sua legítima escolha. Cheirou a dor de cotovelo. Quanto ao nosso belo país, candidato a co-organizador da competição com Espanha, acabou por apenas obter um género de “vitória moral”.

Nos dias que precederam a decisão, multiplicaram-se as notícias que demonstravam as características que faziam de Portugal e Espanha a escolha certa, hospitaleiros por excelência e a loucos pelo desporto rei. Por outro lado, também se falou de vantagens, de lucros, de receitas. Ao que parece já havia gente a esfregar as mãos. Aquilo que se falou não corresponde totalmente à verdade, como se pode ler no artigo do PúblicoMundiais de futebol não são tão bons para o turismo e comércio como se pensa” onde o alemão, Wolfgang Maennig, professor de Economia da Universidade de Hamburgo que se tem dedicado ao estudo dos efeitos económicos de grandes acontecimentos desportivos, explicita. Mesmo após a decisão tomada, continuou-se a lusitana (e não só) lamúria.

Contudo, há uma questão que me continua a intrigar, Portugal sairia beneficiado por organizar este Mundial? A minha opinião é que seríamos apenas uma mera “moleta” numa operação de fachada que pretendia dar a ideia aos outros países de uma União Ibérica com estofo para organizar eventos em conjuntos. Basta ver a distribuição dos jogos para se verificar o papel de “moleta” que iríamos ter. Apenas 19 jogos dos 64 seriam realizados em Portugal. Para não falar de que apenas Alvalade, Luz e Dragão seriam contemplados devido às suas capacidades permitirem a recepção de jogos de uma competição como um Campeonato do Mundo. O resto do país, esse que tantas vezes é valorizado nos discursos que pretendem transmitir a ideia de que Portugal não é só Lisboa e Porto, seria mais uma vez – e com as devidas formalidades – esquecido. O “centralismo” ganharia mais uns trunfos. Com isto não quero dizer que quero receber um Brasil-França em Mangualde ou em Ponte de Lima, não chego a tanto, mas que o facto de apenas duas cidades do nosso país serem seleccionadas deveria colocar os responsáveis portugueses a reflectir se foi uma boa decisão avançar com esta candidatura. Aceitar que apenas um terço da competição era realizada em Portugal? Temos de ter a noção de que se não temos condições, então não vamos só para preencher lugares.

Costumo dizer que “se é para sair de casa, ou se sai em primeiro ou então não se sai” e esta cruzada ibérica sempre me pareceu que era um frete aos nuestros hermanos. É uma questão de honra. E com isto da candidatura, fomos mais uma vez, vergados aos pés dos nossos vizinhos.

Texto igualmente publicado aqui.

Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Francisco Sá Carneiro

"Como é que um solitário pode estar em sintonia com uma sociedade? Foi o que aconteceu com Francisco Sá Carneiro na década de 1970. Dos quatro líderes partidários da nova democracia, era o que tinha o feitio mais difícil. Não dispunha do traquejo político de Álvaro Cunhal ou de Mário Soares, mais velhos e politicamente activos desde havia décadas, nem do conhecimento do Estado de Diogo Freitas do Amaral, professor de direito administrativo. Mas ao contrário deles, este jovem advogado (tinha 39 anos aquando do 25 de Abril) era um homem em mudança. O que, num país em mudança, fez dele um “homem representativo”. Nem por isso teve um percurso fácil."

Rui Ramos

Ler o resto do texto aqui

Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

A posteriori III

Pessoalmente, nem tudo foi mau no XXI Congresso da JSD. Apresentei uma moção sobre Educação que foi aprovada e faz agora parte do "caderno de encargos" da nova Comissão Política Nacional para o mandato 2010-2012. Do documento oficial que, espero eu, tenha as devidas consequências políticas, a parte de Ensino Básico e Secundário corresponde à proposta que apresentei, quer o texto onde elaborava um diagnóstico da actual situação, quer as medidas que propunha para alterar e melhorar o nosso sistema de ensino. Congratulo-me pessoalmente com este facto, mas também aproveito para deixar uma palavra à Comissão Política da JSD Oeiras, pelo apoio que demonstrou durante a elaboração das propostas e também por ser esta a sua forma de actuar e de estar na política, com uma mão, analisa e critica (caso se justifique) e na outra mão, propõe um conjunto de medidas que materializem a sua análise e visão sobre os assuntos. Só assim sabe bem estar e fazer política.
Ler a moção aqui.